O Que Nos Torna Humanos? | #12. A Escolha Pelo Ser

O Que Nos Torna Humanos? | #12. A Escolha Pelo Ser

 

Qual foi a última vez que você ficou em silêncio? Que ficou sem fazer nada, somente experimentando o momento presente? Ou que escolheu fazer algo que fosse por você?

Pois é… geralmente não fazemos esse tipo de coisa.

Não temos tempo para essa besteira!

Afinal, nascemos e crescemos em uma sociedade onde a produtividade é valorizada e isso significa que, devemos estar produzindo algo o tempo todo.

Somos massacrados por uma voz interna e externa que nem sabe ao certo, mas que julga o ato de ficar sem fazer nada. O uso do tempo para algo aleatório e sem funcionalidade não é permitido… e então, desconectados de nós mesmos, produzimos, produzimos e produzimos por um nome, um cargo, um status, um reconhecimento, um cifrão… sem descanso, sem respiro.

Ansiosos pelas férias que, parecem evaporar em uma fração de segundos, devoradas pelo cansaço, cobrança e pouco tempo para o eu.

Em 20 ou 30 dias, queremos viver tudo o que deixamos de viver no ano, e quando este tempo se encerra, voltamos a suspirar pela produtividade, que se tornou sinônimo de sucesso.

Essa vida é assim mesmo” – você pode pensar – “nada é de graça e devemos sempre fazer sacrifícios para ter condição na vida

Vida esta que não permite espaço para você… simplesmente para ser, estar e fazer certas coisas que não precisam dar resultado algum.

E então eu te respondo: será que você está vivendo o sucesso que gostaria de viver? Ou é apenas o que foi imposto e você nem questionou?

Claro que, o trabalho é importante e o foco em certas conquistas também, mas aqui estou falando do equilíbrio essencial para viver momentos e situações que sejam para a construção do seu melhor como pessoa integrada.

Vou te dar um exemplo muito pessoal.

Semana passada comecei um curso de teatro. Não, não quero ser atriz, nem mudar de área ou trabalhar com isso. A vontade surgiu e eu disse sim, pois quero fazer algo que me faça sentir e não preciso trazer resultados concretos para ninguém. Meu ganho será na experiência, em viver algo novo, conhecer pessoas diferentes e expandir meu mundo.

Mas algumas pessoas e amigos em meu convívio me perguntaram: “mas você vai fazer o que com isso?”, “não tem mais nada o que fazer?” me disseram: “cada hora você inventa uma coisa diferente e não tem um foco” “acho que você deveria pensar bem e não perder tempo com algo que não vai te levar a lugar algum”. Por outro lado, também ouvi: “queria tanto ter tempo para fazer algo do tipo”, “te invejo por ser tão desprendida e aberta para esse tipo de coisa”.

Confesso que fiquei muito surpresa e decepcionada com esses comentários, pois imaginei o quão triste é a vida dessas pessoas, que, por um lado estão cegos, construindo uma vida em função da tirania da produtividade e status e por outro lado, estão os que não se sentem livres para fazerem suas próprias escolhas. E ambos não se permitem apenas ser.

A sensação de ter estado em uma terça-feira à noite, fazendo uma aula de corpo e interpretação, conhecendo pessoas totalmente diferentes, com o desejo de experimentar o palco que acolhe a representação da humanidade e a experiência do coletivo simplesmente pelo fato de querer estar ali, tem tudo a ver com escolher os caminhos que trilho na vida.

A sensação disso tudo é indescritível, talvez pois não precisa de descrição alguma.

E foi isso tudo que me trouxe grandes questionamentos sobre o espaço que as pessoas ocupam em suas próprias vidas. Onde estão os desejos e vontades? Estamos sendo expulsos de nosso próprio corpo, de nossa própria vida. 

E então, te pergunto: Qual é o espaço que você ocupa em seu tempo? 

Independente da resposta, não se culpe… esta é a forma como fomos criados e deveria até estar na lista de aspectos que nos torna humanos: a produtividade!

Mas não na minha lista! Pois este aspecto é uma criação social, para nos dar a sensação de que somos importantes no grupo. Buscamos a imortalidade e fugimos da realidade: a vida é limitada em nossa existência.

E está tudo bem! Não precisamos ser imortais, nem ganhar todos os prêmios e troféus para sermos alguém. A vida não é uma corrida e podemos aproveitar muito mais o caminho se estivermos de fato presentes em nossa vida, sem regras ou medo do julgamento.

Porém, se não começarmos a questionar a forma como utilizamos nosso tempo, continuaremos a viver uma ilusão.

Todos os dias, recebo em meu consultório, pessoas que vivem neste ritmo. Pessoas sem tempo em suas próprias vidas, e algumas vezes, elas chegam até mim muito doentes, procurando por um processo de coaching ou terapia que as ajudem a entender como podem produzir mais. E durante o processo, acabam descobrindo que o que elas precisam é viver mais.

E então, o segundo no ócio, um momento de silêncio, um curso de dança, a matrícula na aula de violão, o dia na semana para ler e tomar um vinho sem preocupação se tornam a cura.

Qual foi a última coisa que você fez por você, simplesmente pelo fato de sentir alguma coisa, seja ela qual for, e sem pretensão de ter algo concreto em troca?

Se faz muito tempo, acho que está na hora de mudarmos essa estatística e passarmos a produzir um pouco mais de felicidade.

Porque ter um tempo para você, poder estar no lugar que você quiser e viver o que você deseja de fato é o real sinônimo de sucesso.

Um super beijo,
Vanessa

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